Eu preciso contar um pouco da minha viagem de férias. Eu não sei se eu vou, esse ano, ter férias novamente, então o feriadão de Páscoa me deu uma boa oportunidade para tirar uma cisma. Fui, na companhia de 3 amigos, ao Rio de Janeiro. Não, eu não conhecia.
Sabe o que é? Eu nunca tive curiosidade. Sempre dizia pra todo mundo que "o Rio não me deve nada". Pois então. Continua sem dever patavina.
Gente, não to falando mal da cidade ‘maravilhosa’, mas agora entendi que o termo ‘maravilhosa’ se deve exclusivamente à geografia. E com efeito, o Rio de Janeiro é lindo – se você olhar do alto.
Eu nunca fui muito fã de praia. Aquela coisa, eusinha, à milanesa, não apetece. Então eu procurava ir muito pro mar, que pelo menos a água refresca (e como faz calor nesse lugar) e tira um pouco da sensação nhaquenta de areia naquelas dobrinhas que nem mesmo eu sabia que tinha. - era possível ter areia no útero!Só que ir pro mar na praia de Ipanema, ou mesmo no Leblon é um ato de heroísmo. Você precisa de muito, mas muito cuidado pra não voltar com uma sacola plástica na boca.
Não venham me dizer que a sujeira na praia é coisa de turista porque pelo menos eu e os meus amigos (poucos, mas bons), tivemos o cuidado e o capricho de colocar nosso lixinho na lixeira. E pelo que pudemos perceber, o povo carioca não ajuda a cuidar das suas praias, prega moral de cueca e coloca a culpa na gringalhada que aparece – bem cômodo.
E tem mais!
O atendimento nas barracas à beira da praia é muito ruim, pra ser bem gentil. Porque a criatura pega o teu dinheiro, escuta o teu pedido e passa a falar de outra coisa, com outra pessoa, de preferência de costas pra ti.
[corta]
Nesse momento, num rompante de stress que vem nessas horas em que somos dominados pela ignorância e intolerância, pegamos pelos cabelos aquela simpática senhora que não te atende direito e leva ela pra aprender a nadar bem no fundo do mar, mas não sem antes resgatar os teus pilas que estão na cintura dela, aos berros de que nunca mais voltará àquele lugar, e que vai sair dali falando mal da barraca aos quatro cantos da Terra. Quando se voltam os olhos vermelhos de ódio saltando faíscas aos demais atendentes da tal barraca, ainda tem um que outro fazendo um corpo mole e dá-lhe laço com uma toalha molhada e cheia de areia. Se sobrar alguém, a essa altura já foi embora - ou chamou a polícia.
[volta]
Após longos 20 minutos nos quais você já cansou de pedir que lhe dêem a merda da cerveja, quando você pede o dinheiro de volta (essa era a senha), torna-se imediatamente o centro das atenções. E se você pensa que a dificuldade é só pra pegar a cerveja, precisa ver a cara da mulata que ta colocando o guarda-sol na areia, quando tu pede pelamordedeus, que ela esconda o sol, mande-o embora, coloque-o do lado de fora do mundinho de quem tem pele sensível. Po, dá pra entender que a minha pele é sensivel e por isso vai ser forever branca?
E o cara que vende mate? Ele te vê com a bomba do chimarrão na boca e te oferece (chá) mate gelado. Daí eu brinco:
- Só se for quente! - e ele:
- Isso é um beijo na boca do mau-humor!!
E a minha cara fica mais na areia que a das tatuíras.
E o cara que vende abacaxi? Esse eu PRECISO tecer um comentário. Estávamos eu e Dona do Cash, numa tranquilidade búdica, praticamente atingindo os portões do Nirvana, quando esse cara pula na nossa frente gritando algo que não me lembro, em função do susto que eu levei. Sim, gritamos como duas gasguitas, um horror. E o cara, sem pedir desculpas pelo quase infarto:
- mulher escandalosa desse jeito não tem chance comigo, não!
"Eu tinha um cavalo, um cavalo, um cavalo, e ele tá aqui, tá aqui, tá aqui" (eu - cantando em melodia infantil).
Mas eis que, na folia de uma Lapa cheia de gente, de rodas de samba e de animação, Dona do Cash se enamora de um carioca muito do espirituoso. Me chamou de 'farsa' a noite inteira, perguntou com certa insistência qual a diferença, na minha opinião, entre ser libertino e ser liberal (porque pra ele, os gaúchos são libertinos - mal sabe ele do meu estado....aiai). O papo foi legal, confesso. Mas interrompido de minutos em minutos para que algumas pererecas enlouquecidas tirassem fotos com um dos nossos amigos. Uma coisa. A gente tentou cobrar pedágio várias vezes, a gente tentou cobrar uma pequena taxa pelo serviço de bater a foto, mas não fomos felizes.
Eu lembro que no dia seguinte, o carioca espirituoso da Dona do Cash desejou que nevasse enquanto estivéssemos na praia. Chamou-a de mulher ingrata e rogou-lhe as sete pragas do Egito. Espirituoso e confuso, não?
Ai... foram quatro dias de descanso, de risos, desde situações odiosas às mais agradáveis e outras tantas pra lembrar sempre, pela trajédia ou pela comédia. Conheci melhor pessoas especiais, e isso realmente não tem preço. Eu indico o Rio sim, se você for como eu, e precisa tirar a cisma. E então, afinal de contas, quanto ao Rio em si... o Rio continua lindo, continua sendo.... mas não me deve nada.